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Empresa da área social: exploração, falsa empresa ou boa intenção?


     A sociedade civil ao se organizar em defesa de seus direitos, cria as chamadas ONGs, Organizações Não-Governamentais, que reúnem cidadãos quase sempre voluntários em torno de um conjunto de objetivos e princípios consolidados em estatutos, assembléias, reuniões, diretorias. Entretanto, o compromisso e a luta pelo bem comum não tornam os indivíduos necessariamente melhores. As ONGs são conduzidas por seres humanos e seres humanos erram. Um desses erros é a existência de ‘ONGs de cartório’, ou seja, instituições que existem apenas em um endereço. Estas falsas ONGs disputam poder de voto em igualdade de condições com outras ONGs realmente constituídas, gerando distorções no processo democrático e dificuldades na construção e fortalecimento deste segmento na sociedade, além de servirem de verdadeiros ‘laranjas’ para desvio de dinheiro público. Existem ainda empresas privadas que criam ONGs de cartório para beneficiarem-se de isenções fiscais e agregar valor às suas marcas institucionais, desvirtuando e confundindo a noção de ONGs como organizações que representam os interesses da sociedade civil.

     Existem ainda as ONGs ‘de combate’, cujo objetivo principal é reivindicar melhor qualidade de vida e ambiental e ‘ONGs profissionais’, que se propõem a irem além da simples reivindicação e buscam se capacitarem para a elaboração e a execução de projetos em parceria com governos e empresas ou usando recursos públicos ou privados destinados a projetos. Nem sempre a compreensão entre o trabalho de uma e de outra é bem entendido e não é raro verem-se como adversárias.

     As denúncias de fraudes cometidas por meio de ONGs explorando a atividade repercutem do mesmo modo que os demais escândalos de corrupção, colocando-as num contexto que leva à suspeita todas as políticas sociais do governo federal.

     É claro que devemos saber analisar e separar o bom do ruim. Muitas ONG’e e empresas sociais promovem sim ações com vista ao povo pobre, que depende de serviços gratuitos de saúde, educação, assistência social etc, buscando desde igualdade e inclusão social, até as brigas pelo direito dos animais e meio ambiente.

     Mas mesmo assim, é necessário que os controles tenham a participação não só de representantes dos órgãos de controle e prevenção de fraudes mas também dos órgãos do governo que realizam convênios para cumprir as missões que a lei lhes atribui e sobretudo dos representantes das próprias ONGs autênticas, que são as maiores interessadas em coibir as práticas desonestas.

     Portanto, da maneira que hoje muitas empresas sociais abrem suas portas, com a intenção de apenas lucrar com uma atividade mais que difundida atualmente, eu encaro isso como exploração da atividade econômica. Entendo que aqueles que queiram realmente mudar os aspectos da nossa sociedade têm que receber por isso, pois precisam viver, porém não concordo com o termo lucratividade neste setor de atuação.



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